quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Resenha #114 Querubins - A Sentença da Espada + Entrevista

Título: Querubins - A Sentença da Espada
Autor: Martha Ricas
Editora: Novo Século 
Ano: 2015
Páginas: 239
Classificação: 4,5 estrelas
Sinopse: Uma guerreira do céu; Uma dama vitoriana; Uma guerra invisível.
Querubins, a sentença da espada é um relato em duas vozes: a da querubim Chaya, enviada a uma vila celta pré-cristã e que não vê no homem um ser especial, mas com um espírito guerreiro que não a deixa fugir de uma batalha, e a de Mary Grace, uma donzela da Inglaterra vitoriana atormentada por visões que não consegue desvendar.Ambas as tramas se desenlaçam por caminhos intrépidos e podem estar mais ligadas do que imaginam. Garota e querubim podem e precisam mudar o mundo em épocas diferentes. Seguindo os mesmos passos por cenários deslumbrantes e segredos cada vez mais profundos, elas o farão querer embarcar nas intrigas palacianas e nas batalhas angelicais.Recheada de paixão, mistério, ação e intrigas políticas, a trama é tão perturbadora quanto fascinante.




Uma Guerreira do Céu
Uma Dama Vitoriana
Uma Guerra Invisível

Com essas três frases, que estão no verso do livro, decidi começar a resenha de Querubins – A Sentença da Espada, porque elas definem muito bem como será essa trama.

“Querubins” chegou ao nosso conhecimento através de sua autora, Martha Ricas que nos contou sobre seu lançamento e assim acabamos por firmar a parceria. Desde o momento em que li a sinopse já me interessei, alguma coisa me dizia que eu iria gostar bastante da trama, até porque fantasia com mulheres fortes e guerreiras? É comigo mesmo! Eu amei o enredo e vou contar agora os motivos.





Tudo começa com Chaya, nossa Querubim guerreira, recebendo uma missão. Ela deveria vir a Terra e exercer a justiça dos Céus em uma determinada vila da Bretanha além de cumprir outras importantes funções, para isso deveria se inserir no meio da população e se tornar útil a eles. Porém, Chaya não é a maior fã dos “bonecos de barro”, mas como não é da sua natureza questionar ordens...

“E ali se iniciou o que seria uma longa jornada de sangue, lágrimas, espadas e descobrimentos.”

No futuro, na era vitoriana, nós conhecemos Mary Grace. Uma jovem atormentada por visões de seres demoníacos que tentam de todas as formas acabar com sua vida, ela não entende porque isso acontece, ou o porquê de sofrer com essas vozes lhe falando, além das constantes visões horripilantes. De uma família influente, Mary precisa fazer de tudo para se manter sã e é com Anton, um colega da Academia de Belas Artes, que ela começa a descobrir os motivos de ser como é.

“Nem sempre as curvas da vida dobram-se de acordo com a nossa vontade, lembre-se disso!”

O livro é narrado pela visão de Chaya e Mary em suas respectivas épocas e cada cena é pontuada por ação e grandes revelações. Algo que gostei muito no decorrer da leitura foi que a autora não enrolava para revelar a verdade para os personagens e leitores, nem postergando as batalhas que ambas teriam de enfrentar. Isso só me dava mais ânimo para continuar e descobrir o que o final reservava.

Eu amei a escrita da Martha, me lembrou muito a Libba Bray, mestre em unir grandes vestidos de baile, lordes e ladys com o sobrenatural. A Martha ainda tem um trunfo em sua narrativa que é o detalhar as cenas sem ser cansativo e sim o suficiente para o leitor montar o cenário e se transportar para o ambiente onde a trama está se desenvolvendo, me senti assim praticamente o livro todo e a experiência foi maravilhosa.

A Chaya entrou para a minha lista de personagens favoritos, ela é decidida, valente, honrosa e claro, é um Querubim! portanto, uma guerreira e eu amo ler sobre mulheres como ela. A Mary é uma jovem cheia de talentos, bem a frente do seu tempo quando diz que não quer uma vida limitada a casar e ter filhos apenas. Ela vai crescendo ao longo da história até se tornar tão valente quanto a Chaya. E o Anton... algumas das melhores frases desse livro são ditas por ele. *-*

Tem muitos outros personagens para se apegar nesse livro e outros nem tanto rs, mas vou deixar que vocês os descubram! Indico de olhos fechado para quem ama fantasia e literatura nacional.

“- Alguns acham que a beleza está na suavidade, Vougan.
- Eu não. Gosto assim, intensa, verdadeira e um pouco violenta.”




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Entrevista com a autora Martha Ricas

Garotas entre Livros: Antes de tudo eu gostaria de te dar os parabéns pela sua obra. Eu realmente amei Querubins, é muito bom ver autores nacionais com o seu talento e para começar, eu gostaria de saber por que você escolheu esse tema, qual foi sua inspiração para escrever sobre anjos - querubins no caso - e essa luta contra os demônios? 

Martha Ricas: Muito obrigada! É maravilhoso ver meu trabalho ser tratado com carinho. Bem, sempre estudei muito sobre angelologia (anjos, com todas as suas hierarquias) e admirava demais estas belas criaturas. Com o estouro da literatura fantástica, diversas histórias contendo vampiros, lobisomens, fadas e toda sorte de seres naturais foram surgindo. Até começarem aquelas que tinham os anjos como protagonistas. Algumas muito boas, mas outras, nem tanto. Quando conheci o trabalho do Eduardo Spohr, que retratava os anjos da forma mais próxima de como os vejo, guerreiros engajados e não meros apaixonados pelos humanos, me encantei. Contudo, apesar de sempre ter sido uma leitora voraz, não foi naquele momento que comecei a escrever a trama de Querubins. A história literalmente veio até mim, muito tempo depois, enquanto passava por um momento muito difícil. Com Chaya e Mary em mente, criei coragem e me pus a escrever, sem nenhuma pretensão de publicar ou de produzir uma obra-prima. Porém, com o livro pronto, senti vontade de compartilhar minha história com mais pessoas e hoje aí está ela, circulando querubins por onde passa.



GeL: Sobre o seu processo de escrita, escrever sobre um período da história exige um trabalho de pesquisa, no seu caso você escolheu dois períodos bem distintos – a era pré-cristã e a era vitoriana. Essa pesquisa foi muito difícil? E quais fatos interessantes você encontrou, mas que não pode ser encaixada na história?

MR: Sempre me encantei por ambos os períodos históricos. No caso da cultura celta, pude conhece-la mais a fundo durante a faculdade de Letras, nas aulas de História da Língua Inglesa. Já o período vitoriano me inspira, pois a rainha Vitória é um exemplo de mulher forte e cuja história de amor é incrível. Logo, tinha algum conhecimento prévio sobre os períodos, porém precisei pesquisar ainda mais para o livro. E, como toda ficção, algumas coisas precisaram ser adaptadas para melhor fluidez do enredo. Kernev, a cidade onde se passa a história de Chaya, por exemplo, não existe. Utilizei o nome de um condado onde hoje se localiza a Cornuália. E as invasões dos saxões também precisaram de alguns retoques meus. A Academia de Belas Artes de Mary e Anton também pertence somente a eles, pois só existe nas páginas de Querubins.  



GeL: Você sempre quis ser escritora desde nova ou foi algo que aconteceu ao longo da sua vida adulta?

MR: Desde muito jovem, queria cursar jornalismo. Gostava muito de fazer dissertações, textos críticos, resenhas e adorava apresentar seminários na escola. Acreditava que meu trabalho com a escrita viria dos fatos do nosso cotidiano, da sociedade e de causas a defender ou contestar. Mal sabia que no último ano de Ensino Médio, mudaria radicalmente de ideia e faria Letras, me tornando professora de português e inglês. Sabia menos ainda que, algum tempo depois de dar aulas, me lançaria no mundo da literatura com minhas próprias letras. Se alguém no passado tivesse me contado minha própria trajetória hoje, certamente eu duvidaria. Mas, Deus tem planos maiores do que os nossos, acredito muito nisso.



GeL: Antes de terminar, será que vamos ler mais aventuras de Chaya em breve? Você poderia adiantar alguma “coisinha” para nós?

Chaya é minha personagem preferida! Que falem de mim, mas não dela (risos)! Entretanto, meu segundo livro, que está em andamento, é um spin-off que conta com o protagonismo de um outro personagem presente em Querubins. Lançarei um conto com a Ashira, uma querubim que foi secundária na história, em uma antologia de contos em breve também. Então, podem esperar mais aparições da Flama Vermelha, sim!

Obrigada pela oportunidade de falar um pouquinho sobre meu primeiro livro e por toda gentileza do blog e suas donas, as quais tive o prazer de conhecer na Bienal. Muito sucesso! Continuem fazendo esse trabalho que contribui tanto com a literatura e com as mudanças, lembranças e sensações boas que ela proporciona para cada leitor.


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Perfil da Autora


Nascida em São Paulo, onde ainda reside. Desde pequena, adora a arte em suas mais diversas formas: compunha para a lua, escrevia diários de garatujas e desenhava personagens imaginários. Na adolescência, se envolveu com a música onde atuou como vocalista.

Quando precisou escolher a faculdade, sempre tinha por certo que seria Comunicação Social, porém seu gosto pela leitura de alguma maneira falou mais alto: formou-se em Letras por amar o encanto da literatura e sua alquimia de palavras. Atualmente, leciona português e inglês. 

Continua a cantar e tocar violão nas horas vagas, escreve para o seu blog, além de se aventurar pelo design de interiores e dança. Vê na escrita uma forma de expressão artística e um passaporte para mundos nem sempre tão distantes, porém sempre diferentes e incríveis.



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