segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Resenha #58 A Redoma

Título: A Redoma 
Autor: Felipe Benichio 
Editora: Novo Século - Talentos da Literatura Brasileira 
Páginas: 376
Classificação: 5 estrelas



Sinopse: Gerações após o colapso da Terra, a humanidade vaga pelo espaço em busca de um novo lar. E, quando finalmente encontra o planeta Vetter, se depara com uma população inteligente, passando a enfrentar o dilema decorrente de sua pretensa superioridade: seria legítimo dizimar a população do planeta encontrado em nome da preservação da própria espécie? Em um cenário inóspito, guerras e conflitos interpessoais se descortinam do ponto de vista da equipe responsável pela exploração do lado escuro de Vetter, e também da perspectiva de 7814, um vetteriano desajustado, exilado pouco antes da invasão. Dinâmico e envolvente, A Redoma contrapõe o instinto de preservação às inquietações morais que afligem o espírito humano e nos apresenta uma tentativa de quebra da “redoma” que construímos em torno de nós mesmos e que, em muitos momentos, nos impede de enxergar o outro.

“Um grupo eminentemente coletivista que acaba se fechando 
não só fisicamente mas também intelectual e filosoficamente em uma redoma 
só pode sucumbir quando se depara com uma ameaça externa 
tão ou mais inteligente, porém movida por interesses egoísticos.”

Me faltam palavras para descrever o porque, exatamente, de esse livro ser espetacular em todos os sentidos possíveis da palavra. Felipe Benichio conseguiu me surpreender muito mais do que eu já esperava com A Redoma, eu não sei dizer se estava preparada para me separar dessa história.

A Redoma é uma história muito original, “a breath of fresh air” (uma lufada de ar fresco), como diriam os falantes da língua inglesa. Uma ficção científica muito bem construída, e finalizada sem deixar nenhuma ponta solta. SIMPLESMENTE BRILHANTE!


O livro narra a história dos seres humanos que fugiram para o espaço quando a Terra acabou, e ficam vagando por lá até encontrarem uma Nova Terra, onde poderiam habitar e preservar a espécie humana. Até aí tudo bem, tudo certo, o que eles não esperavam era encontrar vida neste novo planeta, ainda mais com um grande nível de inteligência.

É então que os humanos se reúnem para encontrar uma solução para o incômodo que os vetterianos (habitantes do planeta encontrado) representavam. E daí em diante a tensão começa a atingir níveis absurdamente elevados.

“Exterminá-los é a precaução que devemos tomar 
para perpetuarmos a espécie humana. Trata-se de um mal necessário, 
e tentar contorna-lo pode ser fatal.”

Sim, meus queridos leitores, os seres humanos além de invadir o planeta dos outros, estavam planejando exterminá-los e se apossar de uma vez por todas de Vetter, transformando na Nova Terra tão esperada pelos humanos.

Mas, é claro, que nem todos ficaram felizes com essas ideias absurdas, e um grupo de rebeldes começa a tomar forma.

“Se essa é a natureza humana, eu me recuso a aceita-la 
e desprezo minha própria condição.”

“Tentava salvar os vetterianos porque havia desistido 
de salvar seu próprio povo, mas ao se agarrar ao que restava da esperança 
para cumprir a honrosa missão que atribuíra a si mesmo 
esquecia-se de que as chagas do fogo não foram provocadas pela causa perdida, 
mas sim pela mesquinhez humana.”

E como sempre os humanos começam então a fazer o que fazem de melhor: GUERREAR ENTRE SI e DESTRUIR TUDO QUE ENCONTRA DE BOM PELA FRENTE.

“Não há mais nada. O que há é a guerra. 
A paz acabou no maldito dia em que encontramos este planeta.”

Mas é claro que nem só de humanos que se faz o livro. Aqui conhecemos os vetterianos, habitantes deste planeta tão parecido com nosso velho planeta, que são inteligentes e tem todo um esquema complexo de sobrevivência e comunicação. Um em especial: 7814. Preste atenção neste vetteriano, apenas.

Enfim, tudo que eu falar daqui em diante será um spoiler gigantesco, e não é isso que eu quero fazer com vocês. Se você gosta de ficção científica, alienígenas, invasões e tudo que uma boa ficção tem direito, confesso que você irá se amarrar nesse livro. Felipe criou uma história genial que, sinceramente, merece ser transformada em uma big produção de Hollywood. Sim, meus caros, esse livro é bom desse jeito.

Então não perca tempo, corra até a livraria mais próxima e adquira sua cópia. É mais um livro sensacional da nossa literatura que vocês não podem deixar de ter na estante. Pra mim, está em um patamar maior ainda, pois é muito difícil achar histórias tão geniais como estas nos dias de hoje.
Apenas leiam. Vocês irão me entender.

“Regredir ao estado de ausência 
de controle do homem pelo próprio homem é algo que eu achava 
que só viveria por meio de livros ou filmes, 
mas acabou acontecendo.”